Insano silencio nocturno criativo

Profundamente da Existência elementar, linhas colocadas em carreira de tiro caem sobre vosso olhar (duras secas nodosas_

Quinta-feira

tirando das ervas o punhado de terra que queria apossar-se
ao longo das pedras conseguiu mergulhar na poeira
lançada por suas mãos
que apenas estavam imundas da terra esventrada
a qual por si foi retirada
da sua origem do seu espaço dos seus pares
não há mais nada que possa reter na memória passada aquela figura
que roçava o disforme e seguia para algo incompreensível
porém a poeira assentava e adensava em terrenos diferentes
era como que o começar de novo
até que veio a brisa e o vento assim ela voou para longe
para ao pé de mim_

as nuvens estavam descalças

o vento corria junto à erva

enrodilhando e anichando-se junto às reconfortantes folhas

lá longe ela caminhava

o seu passo era decidido não temia ninguém

remava para o rio

de seguida uma árvore cai a seu lado

assustada ela bate as asas e voa para longe

aí o vento sai debaixo das folhas reparando que as nuvens

estavam completamente despidas_

Segunda-feira

a deusa

subi às torres acima descritas

olhando para baixo contemplava as águias brancas

continuei a subir as escadas íngremes

moldei o vento com meu cabelo

senti o ar rarefeito

e foi aí que vi

no mais alto degrau, senti o tempo, a sua origem

peguei na maçaneta, rodei-a e abri a porta

a escassa janela que detinha aquele quarto

numa cama já muito gasta

vislumbrei e senti a sua respiração

se calhar estaria ainda vivo

fui ver

ao caminhar para perto de sua cama, a porta fechou-se

senti meu coração apertado, já não podia sair e fiquei como que

momentaneamente cego

cheguei e sentei-me na cama e foi aí nesse momento

que comecei a falar com o estranho

ele de pensamentos distantes

como que vagueava por planícies longíncuas

sentia o gotejar do orvalho

nas plantas inacabadas dos jardins de Alexandria

e foi aí que vi uma lágrima correr pelo seu rosto

ele levantou-se e caminhou para a janela

depois soltou uma gargalhada e perguntou-me «ao que vens,

porque caminhas


eu, bem eu vi que a voz era jovem e isso surpreendeu-me

"venho do trigo e caminho para ti, porque te encerras ?" respondi-lhe

fez uma pausa, respirou fundo e virou-se para mim

observei a sua silhueta que se sentou ao pé de mim

pegou na minha mão e pôs-se a percorrer as linhas com

seus dedos gentis

de seguida disse «descansa que a tua jornada foi longa,

eu agora tenho de sair


deitei-me sem sequer lhe retribuir e realmente estava cansado

as mil dúzias de lances de escada

tinham-me feito obedecer que nem um gatinho

quando saiu pela porta, foi aí que eu vi pela primeira vez as suas asas

mais tarde chegou, abriu a porta levemente

parecia ofegante, cansado

abeirou-se da cama e deixou-se cair

levemente tocou-me no rosto e anichou-se a meu lado a dormir_

ver na lonjura os olhos cheios
que transparecem do outro lado do espelho
observando o dia a dia, rebuscando no passado
e desanuviando pelo mar adentro
dando assim um novo alento
Eu na forma mais pequena que existe no meu coração
que ganhou forma, ganhou dimensão
ganhou o que tinha e perdeu no mar todo o ar
Tu perdeste o que tinhas e procuras-te ajuda nos demais
encontraste pardais mas querias a rôla
deste o que não tinhas e perdeste o que querias
Eles não me compreendem
Outros fazem meu gesto repetidamente
Aquelas urtigas picam
e tantos, tantos mais se encontram na janela a pensar e a moer
simplesmente o prazer_

Domingo

uma voz
aparecia no adro, alta e cabisbaixa
percorria e inundava todos os espaços da sala
afinal ela era o ser que açambarcava o local
procurava na sua ânsia, a sua amargura
para depois de a sentir
a poder exprimir, só os sábios sabem aquilo que o mais inteligente ignora
assim
depois de refeito o caminho para o minho do seu ninho
onde seus laços estavam criados
e mais que reforçados
ela assim pousou e nas suas penas a cria aninhou_

para a minha amiga dazed

aguardava o instante o pardal no tronco
quando o gato apareceu, ele lá estava à sua espera
ele esperava-o assobiando uma melodia, tão bonita que o gato
transformou-se
e da fome insaciável
chegou ao pé do pássaro e perguntou-lhe: queres dançar comigo?

caminho para o vazio, que se encontra encostado a meu lado
caminho para a descoberta que em mim está repleta
caminho para encontrar novas viagens e rumos
caminho para esquecer as caras que quero reter
caminho por caminhar
e no fim iniciarei a viagem para para mais tarde recordar_

havia o lugar destinado para a conhecer; quando a encontrei perdi todo o sentido onde estava e divaguei entre campos e solos
permanentemente tentando descobrir os pontos cardeais, o musgo, o sol
e o seu perfume que se me entranhava na mais delicada pureza da minha natureza_